domingo, 28 de junho de 2009

Mexicanos x nação estadounidense



Um filme interessantíssimo que foi feito pelo diretor Sergio Arau mostra bastante o embate dos americanos com os migrantes mexicanos. Ele tenta "abrir os olhos" do país para que seus cidadãos parem de reclamar da "enchurrada" de latinos no país e percebam que os Estados Unidos não funciona sem os imigrantes. O filme promete uma crítica ao preconceito e à exploração.

Um terço da população da Califórnia tem origem latina. Os herdeiros da língua hispânica que entram ilegalmente no país - e que para os estadunidenses são todos chicanos - custam ao serviço social da Califórnia centenas de milhões de dólares. Acontece que produzem, em contrapartida, incontáveis bilhões com sua mão-de-obra barata. Não é difícil prever o que acontecerá nas 24 horas em que o sonho dos xenófobos se realiza, como mostra o filme Um dia sem mexicanos (A day without a mexican, 2004). Será o colapso total. A trama acompanha alguns estereótipos. O problema é que todos eles - desde o senador patriota até o policial negro da fronteira - não esperavam o caos que se instalou no momento em que os latinos começaram a sumir. Difícil é viver sem garçonetes, lavradores, lavadores de carro, babás, lojistas, balconistas, quitandeiros, agricultores, pintores, pedreiros, apresentadores da previsão do tempo.(...)

Confira o trailer de “Um dia sem mexicanos” – versão sem legendas – aqui:



Não é nada, não é nada, o filme inspirou manifestantes, de acordo com a notícia abaixo, retirada do site http://www.diasmarques.adv.br/imigracao_noticias/noticias/EUA--brasileiros-devem-aderir-ao-Dia-Sem-Imigrantes-11h07.htm:
“EUA: brasileiros devem aderir ao Dia Sem Imigrantes
Domingo, 23 de abril de 2006, 11h07
Cerca de 5 mil entregadores brasileiros do jornal americano Boston Globe ameaçam a aderir ao Dia Sem Imigrantes, um boicote nacional que as organizações representativas dos cerca de 12 milhões de estrangeiros sem documentados que vivem nos Estados Unidos articulam para o Dia do Trabalho ¿ 1º de maio. Eles querem comprovar, com sua ausência, o quanto são úteis e indispensáveis para os EUA. Cerca de 450 mil assinantes do Boston Globe podem ficar sem receber o jornal.
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a idéia nasceu do filme Um Dia sem Mexicanos, comédia que mostra o que aconteceria na Califórnia se os imigrantes ilegais vindos do México desaparecessem. O objetivo da paralisação é manter a pressão criada pelas gigantescas manifestações em defesa dos direitos dos imigrantes realizadas em mais de cem cidades americanas nas últimas semanas e tentar influir no debate sobre a reforma das leis de imigração pendente no Congresso. (...)”


Para finalizar as considerações sobre este post, vale deixar a ficção à parte e analisar de fato: Nova York é uma cidade que constantemente recebe fluxos migratórios e também é uma das mais ricas do mundo.

Dia Internacional dos Imigrantes



O Dia Internacional dos Imigrantes foi estabelecido pela ONU em 18 de dezembro de 1990. Nesta data, a ONU adotou a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros de suas Famílias. A partir de então, a data representa a luta por melhores condições para estas pessoas. Em todos os lugares do mundo se luta para que os imigrantes não sejam considerados cidadãos de segunda categoria.
Abaixo, a mensagem do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, retirada do site http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Barra_Escolha/ONU_Imigrantes.htm, com belíssimas considerações acerca do penúltimo Dia Internacional dos Imigrantes:

MENSAGEM DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU
BAN KI-MOON,
POR OCASIÃO DO
DIA INTERNACIONAL DOS IMIGRANTES
18 de Dezembro de 2007
Fonte: Centro de Informação das Nações Unidas em Bruxelas - RUNIC

Hoje, celebramos o oitavo Dia Internacional dos Imigrantes, uma ocasião que se reveste de maior importância em cada ano que passa.
A globalização e as disparidades crescentes no que se refere às condições de vida no interior dos Estados e entre estes têm vindo a conjugar-se para aumentar a escala das migrações transfronteiriças em todo o mundo.
Nunca houve tantas pessoas a viver fora do país onde nasceram como atualmente – estima-se que rondem os 200 milhões, em 2007.
Por detrás deste número elevadíssimo existem histórias individuais – do engenheiro informático qualificado, do agricultor que trabalha ilegalmente, da mulher vítima de tráfico, do refugiado forçado a fugir do seu país e muitas outras.
Embora as suas histórias sejam diferentes, quando consideramos os imigrantes como um grupo, torna-se claro que não deveriam nem podem ser vistos como um fardo.
Aquilo que move os imigrantes é, freqüentemente, a aspiração a uma vida melhor. Desejam assegurar aos seus filhos um futuro mais seguro e mais próspero e estão dispostos a esforçar-se por isso. Se lhes for dada a possibilidade de tirar o máximo partido das suas capacidades, em condições de igualdade, a maioria dos migrantes dará um contributo muito útil para a sociedade.
Milhões de imigrantes prestam serviços essenciais às economias e sociedades dos países onde vivem, ao mesmo tempo que apoiam a sua família e a sua comunidade no país de origem, cuja economia é dinamizada pelas suas remessas.
Infelizmente, é raro que a contribuição dos imigrantes sejam devidamente reconhecidos. Pelo contrário, são amiúde alvo de abusos e discriminação, devido à ausência de mecanismos de proteção ou à existência de legislação nacional discriminatória. Em casos extremos, os imigrantes são vítimas de ataques racistas ou xenófobos.
A Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Imigrantes e Membros das Suas Famílias contém muitas salvaguardas, mas, até à data, só foi ratificada por 37 países. Exorto todos os Estados-membros que ainda não ratificaram ou aderiram à Convenção a fazerem-no o mais rapidamente possível, de modo a assegurar a proteção plena e eficaz dos direitos humanos dos migrantes.
Para além da ação a favor deste importante tratado, devemos corrigir as idéias erradas que prevalecem acerca dos migrantes e sensibilizar a opinião pública para as valiosas contribuições econômicas, culturais e sociais que dão, tanto aos países de origem como aos países de destino. Neste Dia Internacional dos Migrantes, transformemos a discriminação em compreensão, no interesse não só dos migrantes mas também das comunidades e países de todo o mundo.

“Guia para migrantes internacionais”

No site http://pstalker.com/migration/index.php, encontramos um ótimo “guia para migrantes internacionais”. Peter Stalker, desenvolvedor do site, é um escritor freelance inglês que escreveu livros acerca do tema –migração-, e possui o presente site baseado nas suas obras. O site, entitulado “Stalker’s Guide to International Migration”, possui diversas seções interessantíssimas, dentre as quais destaquei algumas bastante pertinentes, que, para quem compreende a língua inglesa, vale a pena conferir!

A WORLD ON THE MOVE

According to the United Nations, only around 191 million people lived outside the country of their birth in 2005 — around 3% of world population. Nevertheless the presence of international migrants can raise many contentious issues and generate controversy out of all proportion to their modest numbers.


“Rapidinha” de perguntas que o mundo inteiro se faz, e que Peter Stalker trouxe solução.

• Do emigrants drain skills from their home countries?
Brain drain
Many developing countries, particularly in Africa are losing valuable skills. But in other countries, particularly in Asia, people invest in their own education in order to emigrate. And the country gains when they send money home as remittances.

• Do immigrants sponge off welfare states?
Wanting to work
Typically young, vigorous and enterprising, immigrants want to earn as much as possible—often to send money home. So they will not want to scrape along on welfare. Indeed as taxpayers they are likely to make a net contribution to the government budget.

• Do immigrants steal the jobs of local workers?
Immigrants in demand
Immigrant workers tend not to displace local workers,. Rather, they complement them—by doing the work that local people reject, or by providing valuable additional skills.

WHY PEOPLE MIGRATE?




• Wage gaps
Most people migrate, either temporarily or permanently, to take advantage of opportunities in richer countries — to earn more money and widen their horizons.

• The need for workers
Another reason why people migrate is that many richer countries have jobs available for immigrant workers.

• Development disruption
Another factor influencing emigration is the disruption caused by economic and social development.


Para finalizar e descontrair um pouquinho, uma charge muito interessante que sinaliza o que seriam os primeiros imigrantes ilegais, título desta.
Segue a tradução do balãozinho: “Nenhum green card (visto permanente de imigração)? Nenhum visto? Desculpem-nos, mas nós precisamos ver alguma identificação”